terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Hoje meu corpo acordou refletindo como estou por dentro
Estado febril, um desespero sóbrio
Palavras arranhando meu corpo, querendo sair desesperadas
Sem sustentação na coluna, porque tudo deveria ser horizontal mas as pessoas gostam demais da pirâmide e isso dói também
Ontem eu vi pessoalmente um dos meus assassinos
Ninguém me garantiu, mas talvez eu também seja uma das assassinas dele
Eu queria conversar com ele
Eu queria matá-lo e vingar minha própria morte
Estou confusa, entre um estado de alívio e remorso por não ter feito nada
Entre me sentir grata por agora ter em mim naturalmente um alerta supremo de sobrevivência e auto defesa, porém cansada de viver nesse estado de choque e com raiva de tudo, por ter passado por isso muito cedo, agora tá enraizado e eu não consigo mais descansar porque a guerra nunca acaba e a paz é só uma ilusão
Então todas as noites eu fico sozinha e acho que não mereço ninguém, pois sou dura demais, e acho que ninguém vai me entender, pois estou ferida demais, e acho que nada faz sentido, e tenho razão
Mas ainda assim tento fazer algo por todos ao meu redor, e me entrego, e me sugam, como mamíferos abandonados sedentos por cuidados maternais e afeto, e depois vão embora, e me julgam, porque não sei amar como deveria
É um rito de passagem, todo dia é, ou pelo menos prefiro que seja, pois assim consigo acreditar que ainda posso me superar aos poucos, uma dose diária para matar os demônios em mim, só que o problema não sou só eu
Me questiono, que talvez esteja errada em matar meus demônios porque eles também são quem sou, quem me tornei, e talvez apenas esteja viva porque eles estão também, e são fortes, e me ensinaram que pensar em si mesma não é ser egoísta, que não devo me enganar pra caber nos lugares, que não devo agradar pra caber nas pessoas
Ninguém mostra caminho nenhum, remédios, terapia, tentativas de me manter ocupada, não obtive sucesso
Só eu e meus demônios agora, estamos de mãos dadas e quando a febre for embora, vamos plantar a semente do caos e da revolução.

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