terça-feira, 15 de maio de 2018

A vida vendida como um emaranhado de objetivos maleficientes
Felicidade como produto
Nós, como subprodutos
Quão mais tento me libertar das amarras
Mais percebo quantas são
E quais são suas raízes
Esbranquiçadas, doentes
Mofadas sem esperança
É tudo um devaneio
Dissipando-se
A floresta vem e me carrega no colo
Apocalipse mental
Devolvendo minhas origens de
Liberdade indígena
De criação uterina
Da vida par
Meu útero é sangue
E meu sangue é vida
Meio a esses destroços tentaram nos enganar
Nos fazer a odiar quem realmente somos
Somos vida
E o único sangue que eu tenho nojo
Hoje e sempre
É o sangue de suas guerras por felicidade
Gélida e genocida
Que desgosto de parir
O herói ou o mártir
Essa ideia de matar, tem que morrer
Transmutar a algo maior
Não somos apenas matéria
Tampouco material de outrem
Somos vida, somados
Destruímos o indivíduo segregado pelo ego
Somados, somos divindade
Criação.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Péssimos hábitos
O tamanho do cachimbo
A meritocracia
Os rumores
O assoalho da casa
Os tiros
Correria e boatos

A sobrevivência rebelde
Remove os escalpos
Dos infectados pela epidemia
Marcam em sua testa
Para que com ou sem uniforme
Jamais voltem a ser
Uma ideia em ação
Um desastre em execução
Uma canção de bombas

Não deixe o ódio sair vivo.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Não sei porque você volta
Se a reclamação é sempre a mesma.

Está chegando perto de acontecer
O olfato aguçado
Sensações cítricas nas memórias nasais
Estômago, o cérebro do cérebro
Uma dança ácida borbulha até o teto
Sobe e desce as escadas
Mãos mortas, mandíbula epiléptica
Dentes transantes até rachar
Nuca tensa, corpo estremece
O ar nunca foi tão espesso e pesado
Comprimidos jogados fora
Junto com as chances de ir embora
O passado ronda a casa
Dá pra ouvir de todos os cômodos
Vozes, malditas vozes
Olho fixo no vórtice
Tudo começa a girar
Até que a cabeça se choca contra a parede
A cena se repete três vezes
Volta pro travesseiro
Tudo continua no mesmo lugar
Errado, tonto, hipócrita, travado
Morto por dentro, maquiado por fora
O corpo cansado
A cabeça doentia
Miragem febril
Não dá mais
Não dá mais
Não dá mais
O pesadelo volta todas as noites
Nunca foi embora
Nunca vai acabar

domingo, 6 de maio de 2018

Deve ser tudo desespero
É tudo desespero mesmo, e ninguém
Ninguem dá valor pra ninguém
Só quando morre
Aí quando morre, ama
Quando morre, lamenta
Quando morre, respeita
Quando morre, saudade.

É por isso que eu queria morrer
Porque morrer é não provar nada
Morrer faz bem pros olhos
As pessoas comecam a enxergar melhor
Reavaliam sua existência
De repente, descobrem quem você foi
E num momento tardio e fúnebre
Te amam apenas por isso
Apenas por ter existido, sem esforço
Sem dor, sem esperar
E não outra coisa.

Mas tem que morrer
Pra poder existir em paz.

Queria esquecer que existo.

Tem uma voz na minha cabeça
Ríspida, dura, ruim
Ela grita bem alto lá dentro
Que não vale a pena
Que eu sou sozinha
Que as pessoas não se importam

Tem muitas vozes na minha cabeça
Muitas vozes que roubam a esperança
Elas vem de fora, de você, de alguém
Ficam lá martelando ideias idiotas
Ideias impossíveis
Coisas que não quero ser
Emoções que não quero sentir
Pressão, expectativa
Decepção

Tem outra voz na minha cabeça
Uma voz cansada, baixa
Quase que um ruído
Invadindo as estações de rádio
Ela resiste, ela acredita
No que restou
Acredita no que sobrou de bom
Que as outras vozes
Ainda não conseguiram destruir

Tem essas vozes na minha cabeça
E minha boca muda logo seca
Não deixa nenhuma palavra sair
É um manicômio infernal no cérebro
Queria achar um botão
Pra resetar os pensamentos
Lamentos de vozes eufóricas
Labirinto sonoro cerebral

Enquanto isso
Espero demais
E nenhuma voz
Dentro ou fora
Pra me dizer
Que vai ficar tudo bem.