Esse barulho que não cessa
Ecoa na casa vazia
Tic tic tic
Ranger os dentes as vezes
Um chá, um cigarro
Tac tac tac
Cabelo eriçado, maçaneta estática
O choque de estar vivo
Nesse mórbido convívio entre
Pessoas intactas, medonhas
Que
Tic tic tic
Sempre te cobram
Tac tac tac
Nunca te ajudam
E, me perco nesse tempo ingrato
Eu corro, corro prum alvo
Que ainda não mirei
Sem cálculo ou compromisso
Com aqui, ou alguém
Ninguém entende nada mesmo
Tic tic tic
Mas vão te dizer uma desgraça
De qualquer forma
Porque tomar as próprias escolhas
Tac tac tac
É egoísmo demais
Pra uma megera feito eu, mulherzinha
Não me importo mais
Tic tic tic
De qualquer forma o tempo
Ou o espaço entre nós
Me colocará num lugar onde
Eu não pertenço
Me submeterá a algo
Que não sou
E à alguém
Que não me ama
Mas felizmente
Não sou domesticável
Tampouco cederei
Aos teus luxos primitivos
Tac tac tac
Não dá pra voltar atrás
Nem com as palavras
Nem com o tempo
É chegada a hora
Hidrate-se
E revolte-se
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