segunda-feira, 12 de maio de 2014

Eu sou os braços pensos que se debruçam
como alma cansada sobre o precipício
os abraços são violentos
como de quem prevê tempestade
vejo a dor que escorre incolor nas curvas
que a solidão marcou sob o rosto amanhecido
não há espaço físico, só embreaguez mental
e sinto a pele azedar
o suor é frio e inunda a casa
as palavras engasgando os vivos
as flores enganando os mortos
as mães num vai-e-vem incessante
visitas rotineiras ao manicômio pálido
os filhos fazendo filhos
às vestes que comprariam minha dignidade
os pais avacalhados de si mesmos
as prostitutas com razão
os poetas bêbados e entorpecidos de incerteza
a razão prostituída
meteção por virgindade
saudaremos em massa, mesmo se for massacre
assassinaremos os assassinos com suas próprias armas
e assim nos tornaremos grandes heróis de nós mesmos
mendingando, com fome de atenção
pois em terra de ego quem faz tendência é rei.

Nenhum comentário:

Postar um comentário