terça-feira, 22 de novembro de 2016

Dedicotária


Às rosas negras
[que não deixaram florescer
À impiedosa cidade
[que não tem escoamento emocional
À paranóia incendiária
[que é molotov na sanidade alheia
Ao vai e vem incessante
[dos amores e desamores
Ao cotidiano difícil
[que beijou sua mulher como se fosse a última
Ao abcdário profano
[que difamou minhas palavras
Aos usuários, pacientes, cientes, louco consciente, passageiro da agonia
[latejantes da agonia
Aos viciados, nóias, pecadores, putas, vagabundos, pederastas
[cola de sapateiro, refrigerante, cocaína, manteiga, cigarro, pornografia, cachaça, válvula de escape
À todos que necessitam refúgio
[negros, sírios, mulheres, crianças, latinos, índios, subversivos, loucos declarados, e não declarados também, eu

À todos vocês
[dedico minhas impiedosas verdades




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