sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Não está

O ser só é puro enquanto intocada a embriaguez mental. Então a demência e o descaso o obrigam a se encher, e pior além, se encher de vazio. 
Era uma vez o tal, o ele, o eu - não importa - (nada mais que uma vez a menos).  Pontilhado na paisagem, quase nu ao cinza. Jaz em si mesmo, pois se evita a indagar a própria existência. 
Território Caos, cobertura de chocolate por favor - já que não tem de heroína.
No espelho brilha a borda da mente doentia, quase transbordando dos olhos emagrecidos. E a roupa de nascença precisa pegar um solzinho, falta a cor que o diabo gosta. Anemia na alma e afazia estomacal não eram os planos pra este final de semana no inferno.
Segregador de sonhos, observava muito bem a desgraça e a língua das flores. 
Enquanto isso, a cidade morria na boca de um usuário de crack qualquer, e renascia na manhã seguinte, se as prostitutas adentrassem suas casas sem serem espancadas. 

- Ninguém pode ouvir a minha dor.

A cor do caminho é sempre desespero. Corre um rato mirrado debaixo dos meus gravetos dobrados no meio fio que eu me esqueci, corre como se não houvesse um amanhã. Putas e raparigas doloridas nos meus devaneios vespertinos, as vezes menos vazias que eu, as vezes menos cheias que eu, mas tão eu enquanto putas e raparigas. 

Café da manhã, café do almoço, café da tarde, café da janta. Caféres, cafézes.

Manicômio aveludado, se as paredes não fossem tão esbranquiçadas e pálidas a minha anarquia não seria tão enferma.

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